Janela
Antonio Miranda Fernandes


Quando sinto o cansaço das letras...
Das palavras...
Eu gostaria de entender as falas das janelas.
Apreciar o que conversam entre elas...
Não com a indiferença de um pombo...
Ou a violência do vendaval...
Ou a agressividade da chibata de um raio...
Mas sim...
Da mesma maneira que eu ouço
As vozes dos olhares que por mim passam...
Talvez assim...
A janela deixasse de ser apenas um retângulo aberto
Numa parede erguida
Que pode ser fechado quando se quer o mundo do lado de fora...
Ou cegar a luz do dia antes que a noite venha fazê-lo.
Ela seria como uma folha de papel em branco para
A paragem dos poemas de asas fechadas
No breve repouso do longo voo emigrante
Pela vida das metáforas.