Lugarejos estranhos
Antonio Miranda Fernandes

Lá vez ou outra, meus sonhos
Viajam para lugarejos estranhos,
De casas desconhecidas,
Com telhados misteriosos...
Lá nas soleiras dos porões da alma,
Onde dormem as minhas feras negras,
Enrodilhadas na fidelidade.

Elas despertam e rosnam
Quando a consciência não está vigilante.
Dos poucos pesadelos que recordo,
Ao acordar,
Eles não são aflitivos, não são maus.
Não me fazem suar ou tremer de temor.

Neles sempre há uma janela,
Por onde, num esforço da vontade,
Ou da memória, não sei explicar,
Os sonhos se agarram nas escarpas
Voltadas para dentro.

Eles emergem com algum ensinamento
Antes que o lirismo escape
Do âmbito da consciência e se quebre,
Como se quebram as estrelas
Refletidas no fundo do poço
Quando o balde despenca.