Muro
Antonio Miranda Fernandes

Muro te queria o mesmo muro caiado puro e adolescente.
Queria ver-te sem essas máculas de pichações estúpidas
Sobre a tela cúmplice e confidente de alvenaria quente,
Que um dia ouviu segredos joviais, carcomida pelo musgo.

Muro te queria o mesmo muro...
Mas não queria no peito que o tempo ido não retorna.
Nem queria saber ser inútil buscar no poema o instante desfeito.

Muro te queria o mesmo para resgatar algo do passado
Nesta esquina que eu achava nada significasse para mim.
Não queria estar em recordações do tempo sumido
Sobre letras sem nexo
Tal borboleta que suga da cal amarelecida...
Eu buscava
Imagem viçosa com boca rubi e seios como pêssegos...