O Poço
Antonio Miranda Fernandes

Poço!
Profunda, ensombrada, sonora
Palavra.
Verruma que perfura a terra escura
E vai ao veio de água gelada.
Ultrapassa a noa e desperta Vésper
Como um poema penetra a alma
E vai à essência do amor.

Do Poço emerge a alma das
Profundezas.
Senhor dos enigmas do mundo.
Mago da lâmpada dos desejos.

Lá no fundo a lua engrinaldada
De estrelas...
Silêncio profundo...
Apenas o gotejar do sereno 
Diluindo quietude.
Vida diluindo-se na distância.

Poço!...
Se um dia eu me jogar nele
Não será para morrer
Será para apanhar mais 
Depressa as estrelas.
Colher sonhos no remanso.
Inclino-me sobre a borda e 
Grito para dentro de mim:
Emergeeeeeeeeeeeeeeee
E quando me canso e aquieto
O eco do  poço que eu nem
Sabia ter no peito responde:
Eeeeeeeeeeeeeeeeeeee
Eeeeeeeeeeee
Eeeeeeee
Eeee
Ee
E